Aprendo mais com as abelhas

Aprendo mais com as abelhas
Aprendo mais com abelhas do que com aeroplanos
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
É um olhar para o ser menor, para o
insignificante que eu me criei tendo
O ser que na sociedade é chutado como uma
barata – cresce de importância para o meu olho.
Ainda não entendi porque herdei esse olhar para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão –
Antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.

Manoel de Barros

Homens fortes criam tempos fáceis e tempos fáceis geram homens fracos. Homens fracos criam tempos difíceis e tempos difíceis geram homens fortes.

Tetrapharmakos (τετραφάρμακος) de Epicuro

Epicuro estudou um vasto campo de coisas, como a moral, os meteoros e a felicidade, mas sua contribuição mais brilhante é o Tetrapharmakon, que podemos interpretar como uma receita médica quádrupla para a alma do homem. Os quatro medicamentos ou tratamentos, conforme Martha Nussbaum (1994), poderiam ser assim sintetizados:

  1. Não há nada a temer quanto aos deuses (ou os deuses não devem ser temidos).
  2. Não há necessidade de temer a morte (ou a morte não deve causar apreensão).
  3. A felicidade é possível (ou o bem é facilmente obtido).
  4. Podemos escapar à dor (ou o terrível facilmente chega ao fim).

Foi uma analogia a um remédio grego famoso, com o mesmo nome. Era um composto farmacêutico conhecido na farmacologia da Grécia Antiga como uma mistura de cera, resina, breu e gordura animal, na maioria das vezes a gordura de porco.

As doze virtudes morais de Aristóteles

Como a natureza humana é complexa e frequentemente tende ao oposto da eudaimonia, da mesma forma que as circunstâncias, o homem deve submeter-se a regras e critérios racionais para obter equilíbrio em pelo menos doze instâncias. Esse equilíbrio se dá por meio das doze virtudes morais, as quais devem ser desenvolvidas no homem:

1. a coragem, que se constitui de um equilíbrio entre a sensação de medo e de confiança;

2. a temperança, que é o equilíbrio entre prazeres e dores;

3. a liberalidade, que é um equilíbrio entre o dar e o receber ou reter dinheiro;

4. a magnificência, que é o equilíbrio do dinheiro dado em grandes quantidades, pois seu excesso é vulgar e de mau gosto e sua deficiência é a mesquinhez;

5. o justo orgulho, que é o equilíbrio entre a honra e a desonra;

6. o anônimo, é o equilíbrio entre a ambição e a desambição;

7. a calma, que é o equilíbrio entre a cólera e a pacatez;

8. a veracidade, que é o equilíbrio entre o exagero e a falsa modéstia;

9. a espirituosidade, que é o equilíbrio entre a aprazabilidade e a rusticidade;

10. a amabilidade, que é o equilíbrio entre ser obsequioso e ser mal-humorado;

11. a modéstia, que é o equilíbrio entre o acanhado e o despudorado; e

12. a justa indignação, que é o equilíbrio entre a inveja e o despeito.

Portanto, os atos morais, para Aristóteles (2007, p. 88), são aqueles que, depois da deliberação, com o auxílio da prudência, são realizados

Aristóteles – Sophia e Phronesis

Para Aristóteles, a parte racional da alma, na qual estão as virtudes dianoéticas, divide-se também em duas faculdade racionais: a científica ou contemplativa e a calculativa.

A primeira – a científica ou contemplativa – permite contemplar as coisas invariáveis, aquelas que não podem ser de outro modo, e nesta parte opera a virtude denominada sophia, ou sabedoria.

Na segunda parte – a calculativa – opera o contingente, aquilo que pode ser de outra maneira. Esta virtude é a phronesis, que pode ser traduzida como prudência, sabedoria prática ou discernimento.

A sophia é uma combinação do conhecimento científico com a inteligência, como o conhecimento que tem o médico ou o artesão, que já sabem exata e metodologicamente o que devem fazer em uma dada situação. Afinal, “todos nós supomos que aquilo que conhecemos cientificamente não é capaz de ser de outra forma.” (Aristóteles, citado por Polesi, 2006, p. 67).

A phronesis, por sua vez, é uma capacidade de deliberar sem métodos específicos, sem fórmulas específicas, mas corretamente, pelo bem viver do homem, em situações não previstas. É, porém, mais que uma simples capacidade racional, como explica o próprio Aristóteles (citado por Polesi, 2006, p. 67)

A sabedoria prática no entanto é mais que uma simples disposição racional, pois é possível deixar de usar uma faculdade racional mas não a sabedoria prática.

Por não produzir nada, a prudência não é arte; por não visar a objetos imutáveis ou eternos, não é mero saber teórico. Aristóteles considera prudente o homem que possui o senso communis, sabe o que tem de fazer em situações particulares e muda o plano de ação caso as situações se alterem.

A ética de Aristóteles, em sua própria opinião, não deveria ser apenas algo teórico (uma tendência dos gregos em geral). Deveria estimular atitudes para chegar a resultados, como o de tornar-se efetivamente bom. Como ensinava Aristóteles (1973, p. 68), “a presente investigação não visa conhecimento teórico como as outras (porque não estamos investigando apenas para saber o que é virtude, mas para nos tornarmos bons, pois do contrário esse estudo seria inútil)”.

Palavras e Pessoas – Parte II

redarguir – Responder ou replicar argumentando.


macramê

1 Variedade de passamanaria feita de linha grossa ou barbante entrelaçado, à base de nós, formando desenhos decorativos.
2 Tipo de linha ou de fio próprio para bordados, filés e crochês.


epíteto

1 Palavra ou frase que se junta a um nome de pessoa ou coisa para qualificá-los ou realçar seus significados: O artigo do jornal estava cheio de epítetos que elogiavam o filme.
2 Qualificação elogiosa ou ofensiva atribuída a algo ou alguém; alcunha, apelido, cognome: O Maracanã recebeu o glorioso epíteto de “O maior estádio da América Latina”.


hiperbólico

1 Que exagera muito.
2 Relativo a hipérbole ou em forma de hipérbole.

Relações entre a sabedoria semita e a filosofia pré-socrática

Eu achei muito interessante os paralelos existentes entre a sabedoria semita e a sabedoria que se desenvolveu com os filósofos gregos pré-socráticos. Não ficou claro para mim, porém, se houve alguma apropriação, mas parecem conceitos bastante próximos.

Inclusive em minhas leituras por aí vi que houve uma figura no Egito chamada de Hermes Trismegistus (tem o texto dele na biblioteca), que possivelmente foi um grande sábio e que também trouxe a ideia da unidade em seus textos. Conhecido como Hermes “três vezes grande”, ele traz na sua obra as 3 iniciações: a) a percepção inicial do eu ontológico b) a observação do sagrado que não sou eu e c) sendo o ápice da sua sabedoria, que eu mesmo sou o sagrado. O que é uma coisa que influenciou uma série de filósofos e pensadores através dos tempos.

Ligando agora com a sabedoria semita, é interessando notar que para eles a sabedoria estava ligada com a “arte de fazer”, a destreza em sí, e a “arte de viver”, passar o conhecimento adquido adiante.

Já para os gregos havia um outro conceito para a “sabedoria”, apesar de semelhante. A razão (conforme desenvolvida nos pré-socráticos) era a principal ferramenta de investigação da realidade.

Esse incremento da sabedoria semitica, por assim dizer, permitiu que uma gama gigante de novos tipos de conhecimento fossem agregados ao ato de pensar: matemática (provavelmente do egito). Houve também uma discussão mais profunda sobre a relação da alma e corpo com o sagrado, e a discussão (talvez um tanto quanto inicial) sobre as relações do todo com o um, através da discussão e da busca do Arché (origem). Essa discussão era estritamente oposta ao politeísmo grego, por isso foi rejeitada na época. A discussão toma corpo com Xonófanes e Heráclito.

Talvez podemos dizer que eles foram os precussores da unificação posterior da religião cristã em Roma? Isso eu já não sei, vou precisar estudar mais para descobrir!