Insights sobre educação

Além da entrevista impecável e imperdível, o texto lido ao final por Abujamra me impressionou bastante. Segue:

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que normalidade é uma ilusão imbecil e estéril

Oscar Wilde

Retirado de https://tvcultura.com.br/videos/54976_eu-escolho-meus-amigos-pela-pupila.html em 24/fev/2021.

Palavras e Pessoas – Parte I

Ataraxia (Ἀταραξία) – Michaelis

De acordo com os pensadores cépticos, epicuristas e estoicos, ausência de inquietações ou perturbações do espírito, algo que só ocorre quando o indivíduo tem o domínio dos desejos, das paixões, juntamente com a renúncia aos objetivos considerados inatingíveis.

Sensação de tranquilidade ou de serenidade.

Comportamento apático; apatia, indiferença.


Aretê (ἀρετή) – Wikipedia

Literalmente “adaptação perfeita, excelência, virtude”. É uma palavra de origem grega que expressa o conceito grego de “excelência” de qualquer tipo, ligado especialmente à noção de “virtude moral”, de cumprimento do propósito ou da função a que o indivíduo se destina.


Eudaimonia (εὐδαιμονία) – Wikipedia

É um termo grego que literalmente significa “o estado de ser habitado por um bom daemon, um bom gênio”, e, em geral, é traduzido como felicidade ou bem-estar. Contudo, outras traduções têm sido propostas para melhor expressar o que seria um estado de plenitude do ser.


Paideia (παιδεία) – Wikipedia

É a denominação do sistema de educação e formação ética da Grécia Antiga, que incluía temas como Ginástica, Gramática, Retórica, Música, Matemática, Geografia, História Natural e Filosofia, objetivando a formação de um cidadão perfeito e completo, capaz de liderar e ser liderado e desempenhar um papel positivo na sociedade.


Hilel, o Ancião (הלל; c. 60 a.C. – c. 9) – Wikipedia

Foi um líder proto-rabínico, visto nas fontes rabínicas como sendo o pai fundador da casa de Hilel; viveu durante o reinado de Herodes, o Grande e foi uma figura central dos últimos tempos (período do Segundo Templo).

Nasceu na Babilônia, mudou-se para Jerusalem para estudar e como relatado no Talmud; era pobre e ganhava a vida como lenhador, não podia pagar as taxas da acadêmia, por esse motivo decidiu-se pela abolição das taxas da acadêmia para todos os alunos. Estudioso respeitado em seu tempo, é à Hilel atribuído diversos ensinamentos da Mishná e do Talmud.

Algumas frases de Hilel:

Se eu não sou para mim mesmo, quem é para mim? E se eu sou só para mim, o que sou? Se não agora, quando?

Não diga: ‘quando tiver tempo eu estudarei: pois talvez você nunca tenha lazer.

Não pare nem nu nem vestido, nem sentado nem em pé, nem rindo nem chorando.

Dor de Idéia

Kolakowski, filósofo polonês, compara o filosofo a um bufão, bobo da corte, cujo ofício é fazer rir. O filosofar amansa as palavras: aquela cachorrada feroz que latia, ameaçava e não deixava dormir se transforma em cachorrada amiga de caudas abanantes. O filosofar ensina a surfar: de repente, a gente se vê deslizando sobre as ondas terríveis das dores de ideia. Também serve para pôr luz no escuro. Quando a luz se acende o medo se vai. Muita dor de ideia se deve à falta de luz. Os demônios fogem da luz. Wittgenstein diz que filosofia é contrafeitiço. É boa para nos livrar das dores de ideia, produtos de feitiçaria […] A filosofia nos torna desconfiados. Quem desconfia não fica enfeitiçado. Palavra de mineiro.

(ALVES, R. Palavras para desatar nós. Campinas: Papirus, 2013)